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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Operação: Desfralde

operação desfralde.jpg

 

A poucos dias do final do ano, a educadora da Madalena alertou-nos para o facto dela estar a mostrar interesse em acompanhar alguns coleguinhas da sala, um pouco mais velhos e que já tinham iniciado o desfralde, nas excursões à casa de banho.

Fiquei surpresa porque ainda não tinha detectado nela qualquer sinal de desfralde e sempre achei, sem nunca ter lido nada sobre o tema antes, que deveria partir daí. Mas com um bebé com pouco mais de 1 mês em casa e o raciocínio de quem leva vários pontapés na cabeça por dia, parti do princípio que me tivesse escapado (mas que bela mãe que eu sou, hã? Nem percebi que ela estava pronta para deixar as fraldas... comodestruiramoraldumamaeem3tempos)

Lá fui eu a correr comprar cuecas e mais cuecas do Frozen (que é grande paixão da bichinha), um livro sobre o tema para ler ao deitar para ver se ela se entusiasmava e outro livro para ver se eu me inteirava do modus operandi da coisa e se me entusiasmava também (gostamos muito que os nossos filhos cresçam e a ideia de poupar pelo menos nas fraldas de um era aliciante, mas depois parece que deixam de ser os nossos bebés...). Os livros eram bastante elucidativos e traziam uns quadros de conquistas para se irem colando uns crominhos giros de mini cocós e xixis, sempre que os ditos eram largados no pouso certo. Redutor de sanita e pote (mais conhecido por bacio nestas bandas) tínhamos herdado da minha afilhada e portanto estavam reunidas as condições físicas e teóricas para a operação desfralde.

Fodido tramado foi passar à prática: as condições climatéricas (secar muita roupa em pouco tempo em Janeiro foi "só" mais um pontapé na cabeça), as capacidades psicomotoras da mãe (que andava com uma lapinha de um mês agrafada às mamas e que depois de dormir umas 5 horas na totalidade e sem serem seguidas, tinha os reflexos de uma múmia paralítica) e da filha de dois anos e meio (com a mesma destreza de um carapau para se despir, subir para a sanita e voltar a vestir) que gostava muito de sair e acompanhar os amiguinhos até à casa de banho, mas largar lá as bombas estava de gesso:\

Íamos levando a Nena à casa de banho de x em x tempo e fazíamos sempre uma festarola quando acertava no alvo. Ele foi dança do xixi, ele foi dança do Cocó, eu sei lá... Cantávamos para o Sr. Xixi e e o Sr. Cocó se sentirem bem vindos, explicamos que os puns eram o Sr Cocó a dizer que queria sair, com direito a simulação sonora dessa conversa imaginária e tudo...Valeu TUDO para incentivar a garota a entregar os seus pertences à sanita. Fizemos com cada figurinha que é uma sorte continuarmos à solta - é que já vi gente a ser internada na psiquiatria por menos :P

Nunca, nunca houve repreensão, mesmo quando logo depois de passarmos meia hora na casa de banho sem festejos se ouvia "Mamã, a Elsa está triste." Pois não haveria o raio da boneca estampada nas cuecas de estar triste, se tivesse acabado de ser visitada pelo Sr. Cocó assim à má fila também estaria...Toca a limpar, trocar tudo e dar-lhe banhoca outra vez...  E isto tudo com aquele ar de quem não parte um prato "Não fiques triste Neninha, para a próxima vais conseguir guardar o Sr. Cocó até à sanita" quando o que me apetecia era praguejar e muito, à moda da minha terra #f&%!!#"%&#....

Numa fase inicial os presentes raramente, muuuuuuito raramente, chegavam a bom porto... E isso representava muita trampinha fora do sítio. Vinha da escola com 4 ou 5 mudas de roupa para lavar (chegaram-me a ligar a dizer que já não tinham mais roupa e lá ia eu de escantilhão, com a lapa a tiracolo, em marcha de emergência pra garota não andar de rabo ao léu) e depois os acidentes continuavam cá em casa até à hora de ir para a cama. Com os ataques das cólicas do irmão à mistura, eram assim uns finais de dia de cortar os pulsos.

Lava, estende, apanha, põe no saco da escola, tira do saco da escola, lava, estende, apanha... Isto em pleno mês de Janeiro no qual estavam uns 8 graus ao sol! Onde é que eu tinha a cabeça para me ter metido nesta alhada a esta altura do campeonato? Ah... Estava a levar pontapés das hormonas, da privação do sono e das birras porque omanonasceuegostomuitodelemasjamepegavasaocoloumbocadinho...

Mas, ao fim de algum tempo (talvez um mês, um looooongo e tortuoso mês), os acidentes começaram a diminuir gradualmente e a desgraçada da máquina de lavar roupa pôde finalmente ter uma folga. Passou a acertar no alvo e agora os acidentes são extremamente raros (uh-uhhhhhhh) e normalmente estão relacionados com excesso de brincadeira.

O desfralde noturno ficará pendente até que a dama comece a apresentar a fralda seca de manhã, o que acontece uns dois ou três dias seguidos, para depois vir outra vez encharcada. Está em standby até novos desenvolvimentos.

Estou para aqui a queixar-me mas tendo em conta que tinha tido de lidar  com o nascimento do irmão há um mês e isso é unanimemente relacionado com regressão dos comportamentos, acho que o desfralde até foi rápido. Pena não ter sido indolor (que o digam as minhas mãozinhas enregeladas de tanto esfregar, estender e apanhar a roupinha durante as tempestades de A a Z) nem inodoro (houve uma altura em que jogava forte e feio no Euromilhões, afinal no teatro desejar muito daquilo que eu andava a limpar é desejar boa sorte :P).

E por aí? Como correu ou está a correr o desfralde? Alguma alma caridosa solidária comigo?

 

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