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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Flagelo sherpista

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Ah e tal, coitadinhas das crianças que carregam o mundo dentro das mochilas, que aquilo é muito peso para as costinhas, que assim até ficam atarrecados e não crescem.

Quer-se dizer, há toda uma preocupação com a formação e crescimento da coluna dos miúdos que, em idade escolar, levam mais que o seu próprio peso às costas mas ninguém quer saber do flagelo sherpista (chame-mos-lhe assim daqui para a frente, combinado?) da maternidade.

Ora vejamos, atualmente carrego no lombo, sempre que saio de casa, a minha mala (que tem toda a tralha inerente à condição feminina), a mochila da Madalena (2 ou 3 mudas de roupa, redutor de sanita que estamos no desfralde, toalhitas, stick de arnica para as cabeçadas, um ou dois babetes, água e um snack para as emergências), a mala do Mateus (2 ou 3 mudas de roupa, que está oficialmente aberta a época do cocó explosivo if you now what I mean, fraldas, toalhitas, creme muda fraldas, fralda de pano, uma manta e uma chucha suplente), o ovo com o Mateus lá dentro e a própria da Nena (porque agora, desde que o mano nasceu, com muita frequência faltam-lhe as forças nas perninhas por isso tem de ser a mamã a carregá-la também). Se formos jantar ou almoçar fora de casa, alanco também com o banco elevatório para a Nena, não vá o diabo teçê-las. E a cereja no topo do bolo é, no regresso a casa, depois de ter passado pelo super, ainda trazer mais uns dois saquinhos de asas com umas coisinhas poucas, que só faltavam ovos e gastei 30€ em coisa nenhuma.

Ufa! Estou cansada só de relatar, chiça! Agora imaginem lá carregar com isto tudo ao mesmo tempo que deusmalivre de fazer mais que uma viagem ao carro. Estou ou não ao nível do sherpa mais credenciado dos Himalaias?!

Não brinquem que isto não é assim tão linear, não é carregar por carregar. Se fosse assim estávamos nós bem mas há toda uma planificação e ciência envolvidas: o que se pega em primeiro lugar e o que se deixa para o fim, qual a alça que escorrega mais na roupa que tenho vestida, cuidadinho para não ficar em cima do cabelo porque ficascarecaquetelixas, de que lado está o vento, que peso que se coloca à esquerda e o que se coloca à direita - ficar marreca sim, mas não à banda! Que uma gaja, lá porque foi mãe não pode deixar de se cuidar! Ah e há ainda que ter as chaves do carro e de casa à mão de semear, que não há cá pão para malucos. Depois de se iniciarem as cargas e descargas não se podem interromper com pormenores do calibre "deixei a chaves na bolsa da mala, que está por baixo da mochila da Nena, do saco do Mateus e do ovo". Nã, nã nã. Há todo um guião que tem de ser escrupulosamente cumprido para que não dancemos o freaky-freaky a tentar recuperar o equilibrio depois da busca das chaves perdidas.

Estou tão versada nesta matéria que vou já acrescentar esta competência no meu perfil do linkedin, não vá ser considerada uma mais valia carregar com os doentes e o SNS às costas. Ah, espera... Isso já o ministro da saúde dá como garantido...

Já estou pra aqui a divagar mas estão a ver a ideia, não estão? Vai todo o mundo equipado para o Apocalipse aqui em cima do cabedal da "je".

Falei-vos aqui sobre a minha recuperação pós parto onde relacionei a minha perda de peso com a alimentação mas, pensando melhor, acho que posso ir ali encher o bandulho de palmiers do Careca que não se vai notar nadinha na balança!

Quem mais sofre deste flagelo sherpista?

 

 

 

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