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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Caixas de supermercado!

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Calma, calma... O assunto que hoje vos trago não é a lei da prioridade que isso era muito fácil (ou não, tendo em conta que numa fila de supermercado TODA a minha gente sofre de cegueira selectiva momentânea e deixa de conseguir enxergar uma barriga de 9 meses ou um carrinho de bebé a menos de um palmo de distância - faz-me lembrar os meus tempos áureos de transportes públicos pois sempre que se vislumbrava uma grávida ou alguém de canadianas era vê-los cair que nem tordos mais pareciam que tinham sido desligados no interruptor - ora estão ON na converseta ou a ler o belo do livro, ora entra alguém a quem poderão ter de ceder o lugar e ficam automaticamente OFF a babar contra o vidro da janela - é certinho comó destino).

Nas filas do super isso não acontece porque não dava jeitinho nenhum, imaginem lá  ora estão ON a pôr as comprinhas no tapete, ora vêm uma criancinha de meses aos berros, a chorar que se desunha e ficam OFF - é que cair redondinho no chão (como eu via acontecer a quem estava com o rabo alapado nos lugares de cedência de prioridade) deve doer que safarta por isso não ficam OFF ficam só mais ceguetas que uma toupeira e mesmo se lhes atropelarem os calcanhares com o carrinho, os moços não vêm nada...

Não, hoje o assunto não é esse (até poderia ser mas depois de duas gravidezes nos 3 últimos anos, durante os quais usufrui praí umas 2 vezes da prioridade e uma delas foi no mesmíssimo dia em que o Mateus nasceu, ainda tinha de ouvir que levamos os nossos filhos com menos de 2 anos ou pior levamos as nossas barrigas para o supermercado só para poder passar à frente de gente muito atarefada e apressada para ir ver o Goucha ou a Fátima numa televisão que até já dá para puxar atrás a programação, e eu não estou para aí virada). Eu juro por tudo que tentei as duas coisas, deixar tanto a barriga como os gaiatos em casa sozinhos mas eles não colaboraram... Podia sempre pedir à criada para passar ela a ir fazer as compras ao super... Ah.. Espera... Isso ela (aka eu) já faz...

Hoje, polémicas das prioridades à parte, queria saber se sou a única pessoa que tem tremores e até suores frios de cada vez que se aproxima de uma caixa de supermercado. Há por aí mais alguém comámim?! Que fica logo com um tique nervoso só de pensar no circo que é pôr as compras no tapete e conseguir recolhê-las em segurança no final? Please, estou muito precisada de não me sentir só!

Primeiro temos de pedir comlicencinha aos senhores da frente e de trás para conseguir pôr as coisas no tapete - invariavelmente a pessoa da nossa frente tem as compras super espalhadas, de tal forma que 5 artigos ocupam 3 metros e quando finalmente temos um espacinho para colocar as nossas coisas, assim com jeitinho e em pirâmide para não incomodar as do vizinho da frente que vivem à larga, eis que o vizinho de trás, que já vem vindo a soprar há mais de um quarto de hora, bem na nossa nuca não vá nos ter passado despercebido o seu mau humor pela carantonha cerrada que exibe desde o momento em que teve de abrandar o passo de corrida em direcção à caixa quando percebeu que estávamos acompanhadas de um pequeno ser de 3 meses, resolve despejar o conteúdo da sua cesta bem no sítio onde estávamos a pensar por o nosso papel higiénico. Temos de olhar de frente para aquelas trombas de metro e meio que metem medo ao susto e com a melhor da nossa boa vontade (às vezes é preciso ir ao fuuuuuundo do nosso ser para conseguir encontrar) e balbuciar baixinho pra não ferir susceptibilidades, "o senhor importa-se, ainda tenho coisas aqui no carrinho para por cá em cima"... (Sopro profundo juntamente com um revirar de olhos monumental) "Ah... não vi..." ("desculpe" que era bom para a tosse nem vê-lo) - cá está novamente a cegueira selectiva.

Dou por mim muitas vezes, inconscientemente, com o resto das coisas nas mãos para entregar directamente ao funcionário só para não me soprarem mais, que depois de por o papel higiénico ainda faltam os rolos de cozinha e já lá está outra cena qualquer alheia no lugar disponível...

Agora que chegou a nossa vez, poderíamos pensar que a coisa iria melhorar, não era? Estamos quase, quase a livrar-nos do sopro no cucuruto, sóqueacoisanãomelhora! Agora que entregamos os artigos que trazíamos nas mãos, vemos esses e os restantes serem arremessados à traição bem para o fundo do tapete, tão rápido que enquanto colocamos um dentro de um saco já se acumulam uns dez cá fora. Parece que recebemos uma ordem de despejo e, assim sem dó nem piedade, vemos a nossa pobre alface ser lançada em voo, juntamente com as latas de atum, com o detergente da loiça e os limões. Zás, zás, zás, pim, pim,pim, por pouco não apanhava com o pacote da manteiga na testa mas isso não interessa nada, o que interessa é que livram destes molengões dos clientes em menos de um fósforo. Fico sempre a pensar que devo ser muito lerda por não conseguir acompanhar o ritmo do pessoal que está nas caixas. Apesar da minha experiência profissional ser em bloco operatório, onde tudo é para ontem - em contexto de urgência então é para anteontem - fico a anos luz daquela gente que atira os frascos do champô e do gel de banho como se estivessem a queimar e nos põe na rua enquanto o diabo esfrega um olho. Ainda estamos a lutar para conseguir encaixar as compras no saco já estão "contribuinte na fatura?", "pode dizer", "cartão cliente", "cupões"... Estou habituadíssima a ser multitasking mas CARAMBA, há limites até para uma mãe! Não é preciso que nos ajudem a por as compras no saco, nem tão pouco embrulhá-las em papelo de celofane, mas bolas dá para desacelerar um bocadito a coisa?

Agora mais a sério e sem qualquer desconsideração pelos operadores de caixa, que basicamente vão fazendo o melhor que podem e sabem mas que não podem ignorar as directrizes de quem lhes paga o ordenado. Bem sei que esta ligeireza em nos ver pelas costas tem como principal propósito agilizar o serviço e descongestionar as lojas, mas CREDO há alguma necessidade de tratar os clientes, que diga-se de passagem, estão a pagar, e bem, pelos seus artigos, como se de leprosos se tratassem? A mim, este comportamento instituído pelas direcções dos grandes supermercados, além de me deixar os nervos em franja, parece-me que roça a falta de civismo e de respeito por quem lá vai depositar uma boa fatia do rendimento familiar. É como se dissessem "vá, despacha-te lá com essas MERDAS que tenho mais que fazer do que estar aqui a olhar pra tua fronha!", "deixa cá o pilim mas vai pregar pra outra freguesia, vite vite".

Curiosamente os supermercados em que nos sentimos mais "pressionados a abandonar a cena",chamemos-lhe assim, também são aqueles em que não há ainda caixas self-service, o que me deixa a pensar se aqueles funcionários que já lutam para que o seu posto de trabalho não seja substituído por uma máquina estarão mais sensibilizados para que o cliente tenha de ser tratado com mais cuidado... Garanto que se nessas cadeias houvesse essa opção, eu cá nunca mais me sujeitaria a que me despejassem com metade do supermercado em cima!

Calhando, sou eu que estou mais sensível, mas serei a única a sentir-me assim?!

 

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